Uma seqüência cansativa. Letras sem um sentido aparente, sem uma verdade oculta. Apenas um borrão, apenas um vazio. Sempre vi as palavras querendo expressar tudo... Sem sucesso e sem chance. Parecia fácil.
Eu te amo explicaria aquelas batidas estranhas, aquele vazio no estômago, que insistia em continuar presente. Eu te amo explicaria aquilo que não era amizade, que não era fraternal, que não era ódio e nem sofrimento. Mas também tudo aquilo que o era. Eu te amo explicaria um sorriso e um abraço, um beijo e o infinito... Mas continua não explicando nada.
Oi seria o começo. Seria quando dois passassem a não depender só de si. Oi seria aquela ansiedade em não saber o que vai acontecer, na deliciosa mistura de saber que aconteceria. Oi seria uma chance, um momento, ou o que não importa. Oi seria o básico, o intenso, o eu e o você, naquele desperdício agradável de palavras que só o Oi sabe introduzir.
Lágrimas tentam narrar uma ação, um acontecimento, um momento. Lágrimas tentam narrar aquilo que não acontece com palavras, talvez eventualmente se borradas. Lágrimas tentam narrar a tristeza e a felicidade, o sofrimento e a dor. A incerteza e a solidão. O medo e o sonho. Lágrimas tentam narrar a emoção... Tolas Lágrimas em acreditar que são capazes.
Eu seria aquilo que sou, mas aquilo que é você, e que é também aquele que desconheço. Eu seria a primeira pessoa do singular, seria o egocentrismo, seria a auto-estima. Eu seria a baixa auto-estima. Eu seria o gostar, o desgostar, o confiar e o temer. Eu seria a individualidade, e a explicação de conhecer a si próprio como ninguém, sendo que o Eu é absurdamente pessoal.
Sim explicaria o possível, o impossível. A permissão e a certeza. A afirmação e a negação. Sim explicaria decisões, medos, temores. Sim explicaria o eu, o você. Sim explicaria aquilo que nunca vou ser, e o por quê. Sim seria a resposta, mas ela acaba nunca contendo apenas três letras.
Tempo é o constante, o inconstante. Ontem , hoje e amanhã numa linha reta psicodélica. É a chuva que cai na janela e a lágrima que folheia um diário. É aquilo que não volta mais, e que volta quando desejado. É aquilo que nos une e nos separa. São os traços do destino, e as linhas da vida que a velocidade das palavras nunca poderá acompanhar.
Fim seria um novo começo, o final, a agonia, a alegria, o dia, a noite, o tempo. Fim seria cada instante de cada mínima coisa que recomeça. Fim seria o recomeço. Fim seria a tragédia e o sonho. Fim seria o agora e o amanhã, mas o fim acaba sendo aquilo que nunca acaba. Sempre acaba.
Palavras ditas por palavras seriam aquelas que tentam ser Deus, explicar tudo e descrever aquilo que na realidade não são capazes. Palavras ditas por palavras, seriam aquelas que nunca são completas se solitárias, que nunca atingem a noite, o dia, o garoto, a garota, o beijo, o sexo, o tempo, o sim, o não, o eu, o você, as lágrimas, o amar, o odiar e o existir. O infinito. Palavras ditas por palavras são inúteis, mas nunca me canso delas.